Congregação Evangélica Luterana Concórdia - SP

Cultos aos domingos 9 hs e no 1º e 3º domingo ás 9 hs e 19 hs
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Cultos ao vivo - domingo 9 hs

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Mateus e eu somos iguais?

Mateus e eu somos iguais?

"Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e faz-lhe ver a sua falta, de maneira que o assunto fique só entre os dois. Se ele te ouvir, ganhaste um irmão, mas se não te quiser ouvir, leva contigo uma ou duas pessoas pois, como manda a Escritura, toda a acusação deve ser apoiada no testemunho de duas ou três pessoas.
Se ele não quiser ouvir essas testemunhas, então comunica o assunto à igreja. E se ele também se negar a ouvir a igreja, considera-o como um pagão e um cobrador de impostos” (Mat 18:15-17 SBP)
Irmãos e irmãs em Cristo Jesus. Existem determinados momentos em nossas vidas, que devemos parar para refletir sobre algumas coisas que são muito importantes. Momentos em que devemos rever certas atitudes que temos quando nos deparamos com algo novo ou com algo que nos causa certa ansiedade. ESTE é um destes momentos.
Durante esta semana, quando fui ler os textos bíblicos indicados para este domingo me deparei com dois textos muito importantes e que estão interligados.  Muitos acham que não há ligação entre eles e tomam os versículos 15 a 20 do Evangelho de Mateus como algo diferente do restante do capítulo 18, mas não é assim que devemos vê-lo. O Evangelho de Mateus, que narra a parábola da ovelha perdida e de como devemos tratar o irmão culpado, são textos que recentemente fiz um estudo mais aprofundado.
Este texto do Evangelho me chama muito a atenção. Ela é especial para mim. Saber que precisaria pregar sobre este texto me deixou um pouco ansioso. Mas  uma ansiedade boa, agradável de se sentir. E este é um momento importante para falar de coisas importantes.
Quero refletir com vocês sobre alguns detalhes interessantes que deveríamos analisar.
Primeiro: Não sei quantos de vocês já viveram em cidades menores, no interior do Estado. Há alguns anos, era muito comum as pessoas, no domingo de culto, usarem a melhor roupa que tinham no armário. Aquela calça de linho, aquela camisa de tecido fino, um vestido floreado e muitas vezes, era o dia de usar calçado. Aquele sapato que só se usava nos cultos, casamentos, batizados e outras ocasiões importantes.
Hoje é diferente? Ou nos contentamos em usar uma roupa um pouco mais ajeitada para não parecer desleixada na frente das outras pessoas.
Segundo: Quando recebemos visitantes em nossos cultos, sabemos recebe-lo com carinho e desejar as boas vindas a ele? Sempre fazemos isso, ou não é importante recebe-lo bem.
Tudo bem. Não faz mal que usemos uma calça mais velha, um sapato desgastado, uma camisa fora de moda, ou que não consigamos agradar aquele visitante. Talvez apenas um oi, tudo bem, já e o bastante para se acolher bem. Estas coisas menores não são as mais importantes na vida, mas podem ser determinante quanto a permanência do visitante em nosso meio e o seu retorno por uma segunda vez.
O que quero mostrar a vocês é que o texto do Evangelho de hoje tem muito a nos ensinar sobre uma coisa muito básica e que deve nos deixar muito felizes em saber disso. Posso adiantar o assunto. Gostaria de dizer a todos vocês, que vocês e eu somos iguais. Iguais em que? Vocês poderiam me perguntar. Iguais a uma pobre ovelhinha perdida, diria Cristo.
O nosso Salvador tinha maneiras muito interessantes de ensinar para as pessoas, as verdades que elas deveriam conhecer. Nos dias de hoje, não conseguimos entender muitas vezes as figuras de linguagem que Jesus utilizava para se referir a alguma coisa concreta que queria dizer. Ou seja. De que maneira, nos dias de hoje, nós que vivemos em cidades grandes, cheias de movimento de carros e pedestres, bicicletas, motos e rodeado de prédios e cheirando a poluição do ar, como poderíamos entender de rebanho de ovelhas? Os motivos do porque era tão importante para o pastor não perder uma ovelha sequer? A ponto de deixar outras 99 para trás e sair procurar apenas uma?
Num mundo como o nosso, onde se produz carne de porco em grande quantidade e que em 90 dias um porquinho já chega ao ponto de abate de 120 quilos, mais ou menos, o que é um porco morto durante este tempo? Nada, dizem os produtores, eles não perdem nada se um porco morre durante o processo de crescimento. Mas se uma grande quantidade morre, aí dá prejuízo.
Mas para Jesus é diferente. Uma ovelha vale muito. Não se pode perder uma sequer.  Numa comunidade de 150, 200 membros, se uma escapa e deixa de participar da vida ativa da comunidade, ela faz falta? Para Jesus, faz. Aquela pessoa, que sempre participou dos cultos e tinha uma vida correta aos olhos de todos, de uma hora para outra se desvia e tem um pecado revelado. O que se faz com ela? Já que é um desviado, vamos excluir da comunidade e deixar que se vire. Eram 100 ovelhas, uma se perdeu. O que fez Jesus? Imagine se Jesus não tivesse se importado com aquela 1 ovelha que se perdeu. Dizendo: Ah, é só uma ovelha, que falta ela vai fazer? Deixa pra lá!
E depois, quando voltar para o campo com as 99 ovelhas, e mais uma se perder? E com o tempo, mais uma, e outra, e mais outra. São 97, 95, 92, até que não se tenha mais nenhum rebanho pra cuidar.
Para Jesus e o seu reino, a mais importante das 100 ovelhas do campo é aquela uma que se perdeu. E com qual grupo nos identificamos: com as 99 que ficaram ou a ovelha que se perdeu?
Somos todos idênticos àquela ovelha perdida. Pois também estamos perdidos. Perdidos em todos os nossos pecados e imperfeições, sempre necessitados da graça de Cristo e da sua misericórdia. Não há outra possibilidade para nós, a não ser reconhecer que se não fosse por causa do Pastor Jesus, já teríamos caído no precipício.
Não importa se viemos ou não aos cultos todas as vezes, se trabalhamos pela igreja ou não. A certeza é que Cristo está sempre ao nosso lado, nos pegando pela mão e nos colocando em seus ombros, para nos levar em segurança por esta vida. É evidente que se deixarmos de vir ao culto e de trabalhar pela igreja estaremos perdendo excelentes oportunidades, não só de fortificar a nossa fé, mas também de proporcionar que outras pessoas possam vir a ter a mesma fé que nós temos em Cristo.
E quanta festa faz o pastor de ovelha que encontra aquela perdida. Há festas no céu, quando um ser humano que era considerado perdido é achado por Cristo e é trazido de volta à comunhão com Deus.
Neste ponto, entra eu, você e Mateus. Opa, Mateus no meio da história? Sim, Mateus. Você, eu e Mateus somos iguais. Pecadores que Cristo foi procurar e resgatou.
Todos conhecem a história de Mateus, antes do seu chamado? Talvez sim, mas vamos recordar alguns episódios da sua vida.
Mateus era cobrador de impostos, o mais odiado do seu povo, pois era considerado um traidor do povo judeu. Já que cobrava impostos do povo para enriquecer a Roma os seus conquistadores e dominadores. Mateus não era bem vindo ao templo, não podia nem na porta passar. Até que chega Jesus e o convida para fazer parte do seu grupo de discípulos mais seleto, os Apóstolos, aqueles que teriam como incumbência levar a palavra de Cristo adiante para todas as pessoas do mundo.
Mateus foi transformado por Cristo, de cobrador de impostos a evangelista, Ministro da Palavra de Deus.
E o que falar sobre os versículos 15 a 20 de Mateus 18? Muitas pessoas afirmam que se uma pessoa em pecado manifesto ou que deixa de ofertar por muitos anos seguidos, sem aparecer na igreja, deve ser sumariamente excluído do rol dos membros, utilizando como base bíblica para isto Mateus 18. 15-20. E aí decretando esta pessoa “pagão e cobrador de impostos”, como diz o texto. Sim, isto é certo, Jesus afirma que devemos considera-la pagã, mas não no sentido de excluí-la do círculo da igreja, de excluí-la de Cristo, ao contrário: Devemos considera-la a ovelha perdida, a que necessita de resgate, pois está prestes a cair do penhasco, sem chance de retornar. E quem somos nós para excluir alguém da Igreja? Na maioria das vezes a própria pessoa se auto-exclui. Nossa função como cristão é ir ao encontro destas pessoas, tornando elas pessoas prontas para ouvir novamente a verdade do Evangelho. É importante que elas ouçam novamente o Evangelho consolador, a Boa Nova de Cristo. Que ouça novamente que Cristo morreu por ela e que o perdão pelos seus pecados está à sua disposição, só é preciso querer ser salva e crer em Cristo como o seu Salvador.
Este é o papel de todos nós cristãos, ministros do Evangelho.
Mas este ministério, não é só o ofício de pastor, mas também o de qualquer um a serviço do reino de Deus. E este serviço, não precisa obrigatoriamente ser realizado dentro da igreja ou em função dela, mas tem a ver com a vida cotidiana do cristão, lá aonde ele vive, trabalha, tem o seu lazer.
Não há nada mais belo do que saber e conhecer a verdade de Cristo. De que mesmo sendo o mais terrível dos pecadores, mesmo não merecendo compaixão, Cristo me busca pela mão, me traz de volta do abismo em que estava pronto para cair e me concede a graça de poder voltar aos seus cuidados.
Deus teve misericórdia de mim, Deus tem misericórdia das pessoas que aqui não estão. E vocês que aqui se encontram, vocês tem essa certeza? Quero usar as palavras de Lutero sobre o Primeiro artigo do Credo Apostólico: “Deus criou a mim e a todas as criaturas; me deu corpo e alma, olhos, ouvidos, e todos os membros, razão e todos os sentidos, e ainda os conserva; além disso me dá vestes, calçado, comida e bebida, casa e lar, esposa e filhos, campos, gado e todos os bens. Me dá o necessário par o corpo e para a vida; me protege contra todos os perigos e me guarda de todo o mal. E tudo isso faz unicamente por sua paterna e divina bondade e misericórdia, sem nenhum mérito ou dignidade da minha parte...” Deus teve e têm misericórdia de mim, tudo vem dele para mim. Também têm misericórdia ao perdoar meus pecados, os quais no culto eu tenho o privilégio de confessar. Ele por sua misericórdia me dá a chance de ouvir sua palavra, ser por ela consolado e orientado, e me dá em sua misericórdia o corpo e o sangue de Jesus Cristo que foi dado e derramado na cruz para perdoar meus pecados e me Unir ao Pai celeste.
Deus teve e têm misericórdia de nós, e essa mesma misericórdia ele o tem com os outros, porque não recebê-los, não aceitá-los como são - amados por Deus em Jesus, assim como nós também fomos. E que a certeza de que Deus teve misericórdia de nós estimule a nós a permanecermos fiéis seguidores e que nos capacite a anunciar o “único ensinamento verdadeiro que deve ser crido e aceito de todo o coração: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, os quais eu sou o pior” (v. 15). Vá em paz e na certeza de que Deus teve e tem misericórdia de você. Amém!

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