Culto do dia 25 de setembro. Para ir ao início do culto é só clicar na barra de tempo até o 25º minuto. Culto 25 de setembro
terça-feira, 27 de setembro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Mateus e eu somos iguais?
Mateus e eu somos iguais?
"Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e
faz-lhe ver a sua falta, de maneira que o assunto fique só entre os dois. Se
ele te ouvir, ganhaste um irmão, mas
se não te quiser ouvir, leva contigo uma ou duas pessoas pois, como manda a
Escritura, toda a acusação deve ser apoiada no testemunho de duas ou três
pessoas.
Se
ele não quiser ouvir essas testemunhas, então comunica o assunto à igreja. E se
ele também se negar a ouvir a igreja, considera-o como um pagão e um cobrador
de impostos” (Mat 18:15-17 SBP)
Irmãos e irmãs em Cristo Jesus.
Existem determinados momentos em nossas vidas, que devemos parar para refletir
sobre algumas coisas que são muito importantes. Momentos em que devemos rever
certas atitudes que temos quando nos deparamos com algo novo ou com algo que
nos causa certa ansiedade. ESTE é um destes momentos.
Durante esta semana, quando fui ler os
textos bíblicos indicados para este domingo me deparei com dois textos muito
importantes e que estão interligados. Muitos acham que não há ligação entre eles e
tomam os versículos 15 a 20 do Evangelho de Mateus como algo diferente do
restante do capítulo 18, mas não é assim que devemos vê-lo. O Evangelho de Mateus,
que narra a parábola da ovelha perdida e de como devemos tratar o irmão culpado,
são textos que recentemente fiz um estudo mais aprofundado.
Este texto do Evangelho me chama muito
a atenção. Ela é especial para mim. Saber que precisaria pregar sobre este
texto me deixou um pouco ansioso. Mas uma ansiedade boa, agradável de se sentir. E
este é um momento importante para falar de coisas importantes.
Quero refletir com vocês sobre alguns
detalhes interessantes que deveríamos analisar.
Primeiro: Não sei quantos de vocês já
viveram em cidades menores, no interior do Estado. Há alguns anos, era muito
comum as pessoas, no domingo de culto, usarem a melhor roupa que tinham no
armário. Aquela calça de linho, aquela camisa de tecido fino, um vestido
floreado e muitas vezes, era o dia de usar calçado. Aquele sapato que só se
usava nos cultos, casamentos, batizados e outras ocasiões importantes.
Hoje é diferente? Ou nos contentamos
em usar uma roupa um pouco mais ajeitada para não parecer desleixada na frente
das outras pessoas.
Segundo: Quando recebemos visitantes
em nossos cultos, sabemos recebe-lo com carinho e desejar as boas vindas a ele?
Sempre fazemos isso, ou não é importante recebe-lo bem.
Tudo bem. Não faz mal que usemos uma
calça mais velha, um sapato desgastado, uma camisa fora de moda, ou que não
consigamos agradar aquele visitante. Talvez apenas um oi, tudo bem, já e o
bastante para se acolher bem. Estas coisas menores não são as mais importantes
na vida, mas podem ser determinante quanto a permanência do visitante em nosso
meio e o seu retorno por uma segunda vez.
O que quero mostrar a vocês é que o
texto do Evangelho de hoje tem muito a nos ensinar sobre uma coisa muito básica
e que deve nos deixar muito felizes em saber disso. Posso adiantar o assunto.
Gostaria de dizer a todos vocês, que vocês e eu somos iguais. Iguais em que?
Vocês poderiam me perguntar. Iguais a uma pobre ovelhinha perdida, diria
Cristo.
O nosso Salvador tinha maneiras muito
interessantes de ensinar para as pessoas, as verdades que elas deveriam
conhecer. Nos dias de hoje, não conseguimos entender muitas vezes as figuras de
linguagem que Jesus utilizava para se referir a alguma coisa concreta que
queria dizer. Ou seja. De que maneira, nos dias de hoje, nós que vivemos em
cidades grandes, cheias de movimento de carros e pedestres, bicicletas, motos e
rodeado de prédios e cheirando a poluição do ar, como poderíamos entender de
rebanho de ovelhas? Os motivos do porque era tão importante para o pastor não
perder uma ovelha sequer? A ponto de deixar outras 99 para trás e sair procurar
apenas uma?
Num mundo como o nosso, onde se produz
carne de porco em grande quantidade e que em 90 dias um porquinho já chega ao
ponto de abate de 120 quilos, mais ou menos, o que é um porco morto durante
este tempo? Nada, dizem os produtores, eles não perdem nada se um porco morre
durante o processo de crescimento. Mas se uma grande quantidade morre, aí dá
prejuízo.
Mas para Jesus é diferente. Uma ovelha
vale muito. Não se pode perder uma sequer.
Numa comunidade de 150, 200 membros, se uma escapa e deixa de participar
da vida ativa da comunidade, ela faz falta? Para Jesus, faz. Aquela pessoa, que
sempre participou dos cultos e tinha uma vida correta aos olhos de todos, de
uma hora para outra se desvia e tem um pecado revelado. O que se faz com ela?
Já que é um desviado, vamos excluir da comunidade e deixar que se vire. Eram
100 ovelhas, uma se perdeu. O que fez Jesus? Imagine se Jesus não tivesse se
importado com aquela 1 ovelha que se perdeu. Dizendo: Ah, é só uma ovelha, que
falta ela vai fazer? Deixa pra lá!
E depois, quando voltar para o campo
com as 99 ovelhas, e mais uma se perder? E com o tempo, mais uma, e outra, e
mais outra. São 97, 95, 92, até que não se tenha mais nenhum rebanho pra
cuidar.
Para Jesus e o seu reino, a mais
importante das 100 ovelhas do campo é aquela uma que se perdeu. E com qual
grupo nos identificamos: com as 99 que ficaram ou a ovelha que se perdeu?
Somos todos idênticos àquela ovelha
perdida. Pois também estamos perdidos. Perdidos em todos os nossos pecados e
imperfeições, sempre necessitados da graça de Cristo e da sua misericórdia. Não
há outra possibilidade para nós, a não ser reconhecer que se não fosse por
causa do Pastor Jesus, já teríamos caído no precipício.
Não importa se viemos ou não aos
cultos todas as vezes, se trabalhamos pela igreja ou não. A certeza é que
Cristo está sempre ao nosso lado, nos pegando pela mão e nos colocando em seus ombros,
para nos levar em segurança por esta vida. É evidente que se deixarmos de vir
ao culto e de trabalhar pela igreja estaremos perdendo excelentes
oportunidades, não só de fortificar a nossa fé, mas também de proporcionar que
outras pessoas possam vir a ter a mesma fé que nós temos em Cristo.
E quanta festa faz o pastor de ovelha
que encontra aquela perdida. Há festas no céu, quando um ser humano que era
considerado perdido é achado por Cristo e é trazido de volta à comunhão com
Deus.
Neste ponto, entra eu, você e Mateus.
Opa, Mateus no meio da história? Sim, Mateus. Você, eu e Mateus somos iguais.
Pecadores que Cristo foi procurar e resgatou.
Todos conhecem a história de Mateus,
antes do seu chamado? Talvez sim, mas vamos recordar alguns episódios da sua
vida.
Mateus era cobrador de impostos, o
mais odiado do seu povo, pois era considerado um traidor do povo judeu. Já que
cobrava impostos do povo para enriquecer a Roma os seus conquistadores e
dominadores. Mateus não era bem vindo ao templo, não podia nem na porta passar.
Até que chega Jesus e o convida para fazer parte do seu grupo de discípulos
mais seleto, os Apóstolos, aqueles que teriam como incumbência levar a palavra
de Cristo adiante para todas as pessoas do mundo.
Mateus foi transformado por Cristo, de
cobrador de impostos a evangelista, Ministro da Palavra de Deus.
E o que falar sobre os versículos 15 a
20 de Mateus 18? Muitas pessoas afirmam que se uma pessoa em pecado manifesto
ou que deixa de ofertar por muitos anos seguidos, sem aparecer na igreja, deve
ser sumariamente excluído do rol dos membros, utilizando como base bíblica para
isto Mateus 18. 15-20. E aí decretando esta pessoa “pagão e cobrador de
impostos”, como diz o texto. Sim, isto é certo, Jesus afirma que devemos
considera-la pagã, mas não no sentido de excluí-la do círculo da igreja, de
excluí-la de Cristo, ao contrário: Devemos considera-la a ovelha perdida, a que
necessita de resgate, pois está prestes a cair do penhasco, sem chance de
retornar. E quem somos nós para excluir alguém da Igreja? Na maioria das vezes
a própria pessoa se auto-exclui. Nossa função como cristão é ir ao encontro
destas pessoas, tornando elas pessoas prontas para ouvir novamente a verdade do
Evangelho. É importante que elas ouçam novamente o Evangelho consolador, a Boa
Nova de Cristo. Que ouça novamente que Cristo morreu por ela e que o perdão
pelos seus pecados está à sua disposição, só é preciso querer ser salva e crer
em Cristo como o seu Salvador.
Este é o papel de todos nós cristãos,
ministros do Evangelho.
Mas este ministério, não é só o ofício
de pastor, mas também o de qualquer um a serviço do reino de Deus. E este
serviço, não precisa obrigatoriamente ser realizado dentro da igreja ou em
função dela, mas tem a ver com a vida cotidiana do cristão, lá aonde ele vive,
trabalha, tem o seu lazer.
Não há nada mais belo do que saber e
conhecer a verdade de Cristo. De que mesmo sendo o mais terrível dos pecadores,
mesmo não merecendo compaixão, Cristo me busca pela mão, me traz de volta do
abismo em que estava pronto para cair e me concede a graça de poder voltar aos
seus cuidados.
Deus teve misericórdia de mim, Deus
tem misericórdia das pessoas que aqui não estão. E vocês que aqui se encontram, vocês tem essa certeza? Quero usar
as palavras de Lutero sobre o Primeiro artigo do Credo Apostólico: “Deus criou a mim e a todas as criaturas; me
deu corpo e alma, olhos, ouvidos, e todos os membros, razão e todos os
sentidos, e ainda os conserva; além disso me dá vestes, calçado, comida e
bebida, casa e lar, esposa e filhos, campos, gado e todos os bens. Me dá o
necessário par o corpo e para a vida; me protege contra todos os perigos e me
guarda de todo o mal. E tudo isso faz
unicamente por sua paterna e divina bondade e misericórdia, sem nenhum
mérito ou dignidade da minha parte...” Deus teve e têm misericórdia de mim,
tudo vem dele para mim. Também têm misericórdia ao perdoar meus pecados, os
quais no culto eu tenho o privilégio de confessar. Ele por sua misericórdia me
dá a chance de ouvir sua palavra, ser por ela consolado e orientado, e me dá em
sua misericórdia o corpo e o sangue de Jesus Cristo que foi dado e derramado na
cruz para perdoar meus pecados e me Unir ao Pai celeste.
Deus teve e têm misericórdia de nós, e
essa mesma misericórdia ele o tem com os outros, porque não recebê-los, não
aceitá-los como são - amados por Deus em Jesus, assim como nós também fomos. E
que a certeza de que Deus teve
misericórdia de nós estimule a nós a permanecermos fiéis seguidores e que
nos capacite a anunciar o “único
ensinamento verdadeiro que deve ser crido e aceito de todo o coração: Cristo
Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, os quais eu sou o pior” (v.
15). Vá em paz e na certeza de que Deus teve e tem misericórdia de você. Amém!
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